| O PADRE NA POLÍTICA
Em época de eleições, virou rotina discutir o papel do padre na
política. Se deve ou não meter-se nesse vespeiro. Numa sociedade em
que ele vai sendo despojado do ar sacral com que gerações o vestiram;
em que é visto como um cidadão igual aos outros; em que ministros de
várias denominações evangélicas disputam cargos eletivos, -para muitos
parece descabida a determinação dos bispos de que o padre se abstenha
de participação ativa na política partidária.
Dia desses, foi perguntado ao arcebispo de Maringá se ele proibira aos
padres a candidatura a prefeito ou vereador. Nossos comunicadores não
têm obrigação, é claro, de conhecer a disciplina inter da Igreja.
Menos ainda quando vêem, confrontando a orientação oficial, atitudes e
argumentos aduzidos por quem devia dar exemplo de obediência.
Anda meio complicado falar de obediência nos dias que correm. Certa
noção de liberdade tenta deslegitimar todo e qualquer comando na vida
social. Por outro lado, nossa "autoridades" com freqüência não se
mostram à altura do poder que lhes foi conferido. Ainda que
inteiramente distinta, a comunidade eclesial acaba atirada à vala
comum dos grupos humanos sujeitos a autoridades indignas desse nome.
Na Igreja, autoridade é serviço. É o esforço de coordenar tarefas
individuais em vista da evangelização. Humanos, os dirigentes
eclesiásticos podem falhar. Mas seu serviço, estabelecido por Cristo,
é essencial para a unidade da Igreja.
Na celebração em que a gente se faz padre há um rito que determina, de
forma absoluta, nosso ser e nosso agir. O povo quase não conhece,
porque vê poucas ordenações. O bispo toma entre as suas mãos do novo
padre e pergunta: "Prometes obediência e respeito a mim e a meus
sucessores?". Ele responde: "Prometo".
Eis a essência da autoridade da Igreja. Para obedecer, o padre só tem
como motivo a fé. Obedecer porque crê que o bispo é portador da
autoridade dos apóstolos. Todo o arcabouço da Igreja Católica se
sustenta na convicção de que no papa e nos bispos perdura o poder (de
governo, magistério e santificação) confiado por Cristo a Pedro e aos
demais apóstolos.
Obedeço ao papa e ao bispo não por subserviência ou temor. Nem pela
simpatia, inteligência, cultura, santidade pessoal, competência
administrativa ou outra qualidade que demonstrem. Obedeço porque
Cristo constituiu Pedro e os apóstolos para reger a sua Igreja. Ele se
prolongam hoje bento 16 e, na Igreja que está em Maringá, em dom Anuar
Battisti.
Pouco importa se o padre X ou Y reúne qualidade de bom administrador
ou legislador. Ou que a política, como arte do bem comum, seja o mais
excelente exercício da caridade.
Importa que (a) a legislação da Igreja, (b) o episcopado brasileiro e
(c) os bispos paranaenses têm posição clara. No Paraná foi decidido
que o padre deve manter-se à margem de cargos eletivos, incorrendo, em
caso de desobediência, na suspensão do exercício de ministério. Se em
outro lugar a praxe é diferente, quem deve explicar é o bispo de lá.
Padre Orivaldo Robles. |