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     ARTIGOS PE. ORIVALDO ROBLES

 
     
 
O PADRE NA POLÍTICA

          Em época de eleições, virou rotina discutir o papel do padre na política. Se deve ou não meter-se nesse vespeiro. Numa sociedade em que ele vai sendo despojado do ar sacral com que gerações o vestiram; em que é visto como um cidadão igual aos outros; em que ministros de várias denominações evangélicas disputam cargos eletivos, -para muitos parece descabida a determinação dos bispos de que o padre se abstenha de participação ativa na política partidária.

          Dia desses, foi perguntado ao arcebispo de Maringá se ele proibira aos padres a candidatura a prefeito ou vereador. Nossos comunicadores não têm obrigação, é claro, de conhecer a disciplina inter da Igreja. Menos ainda quando vêem, confrontando a orientação oficial, atitudes e argumentos aduzidos por quem devia dar exemplo de obediência.

          Anda meio complicado falar de obediência nos dias que correm. Certa noção de liberdade tenta deslegitimar todo e qualquer comando na vida social. Por outro lado, nossa "autoridades" com freqüência não se mostram à altura do poder que lhes foi conferido. Ainda que inteiramente distinta, a comunidade eclesial acaba atirada à vala comum dos grupos humanos sujeitos a autoridades indignas desse nome.

          Na Igreja, autoridade é serviço. É o esforço de coordenar tarefas individuais em vista da evangelização. Humanos, os dirigentes eclesiásticos podem falhar. Mas seu serviço, estabelecido por Cristo, é essencial para a unidade da Igreja.

          Na celebração em que a gente se faz padre há um rito que determina, de forma absoluta, nosso ser e nosso agir. O povo quase não conhece, porque vê poucas ordenações. O bispo toma entre as suas mãos do novo padre e pergunta: "Prometes obediência e respeito a mim e a meus sucessores?". Ele responde: "Prometo".

          Eis a essência da autoridade da Igreja. Para obedecer, o padre só tem como motivo a fé. Obedecer porque crê que o bispo é portador da autoridade dos apóstolos. Todo o arcabouço da Igreja Católica se sustenta na convicção de que no papa e nos bispos perdura o poder (de governo, magistério e santificação) confiado por Cristo a Pedro e aos demais apóstolos.

          Obedeço ao papa e ao bispo não por subserviência ou temor. Nem pela simpatia, inteligência, cultura, santidade pessoal, competência administrativa ou outra qualidade que demonstrem. Obedeço porque Cristo constituiu Pedro e os apóstolos para reger a sua Igreja. Ele se prolongam hoje bento 16 e, na Igreja que está em Maringá, em dom Anuar Battisti.

          Pouco importa se o padre X ou Y reúne qualidade de bom administrador ou legislador. Ou que a política, como arte do bem comum, seja o mais excelente exercício da caridade.

          Importa que (a) a legislação da Igreja, (b) o episcopado brasileiro e (c) os bispos paranaenses têm posição clara. No Paraná foi decidido que o padre deve manter-se à margem de cargos eletivos, incorrendo, em caso de desobediência, na suspensão do exercício de ministério. Se em outro lugar a praxe é diferente, quem deve explicar é o bispo de lá.

Padre Orivaldo Robles.

 

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