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O corpo de Maria e o nosso corpo



          Amanhã, dia 15, celebraremos a festa da padroeira da Arquidiocese de Maringá. A mãe do Caminho, da Verdade e da Vida; a Mãe elevada ao céu em corpo e alma. A festa da Assunção de Nossa Senhora, que o Papa Pio XII em 1950 proclamou como verdade de fé. Gloriosa e exultante Mãe de Deus, nos chama como discípulos amados de seu Filho, a participar do mesmo privilégio, dizendo: “Façam tudo o que Ele vos disser” !
          Este é o único pedido da Mãe nos anos de vida pública, acompanhando Jesus.
          A Mãe glorificada com seu corpo é sinal, é testemunho de que nós também exultaremos na glória do Pai, pois somos feitos para a ressurreição e para a vida.
          “A glória de Deus é o homem vivo”, disse Santo Inácio. A pessoa humana foi feita para a vida. Por isto o nosso corpo precisa viver bem; todo cuidado é pouco e todo exagero é uma agressão ao precioso dom de Deus, que é a vida. Nada de belo, nada de grande se faz na terra, sem ser pelo sacrifício. Sacrifício é sinal de grandeza e beleza.
          Neste tempo de Olimpíadas , vemos sacrifícios para em segundos, ganhar uma medalha. Sofrer por uma realização maior. Sofrer para viver melhor em todos os sentidos, às vezes chega à loucura, na tentativa de realizar o impossível. Neste contexto da festa do corpo glorificado de Maria, vale perguntar: O que estamos fazendo com o nosso corpo? Como cuidamos? Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, escolhidos para viver em plenitude o dom da vida, com as melhores possibilidades.
          É bonito ver gente fazendo caminhadas, freqüentando academias, fazendo regimes, sem exageros, para viver com maior dignidade.
          Entristece-nos porém, quando vemos gente de todas as idades, principalmente jovens, agredindo o corpo com exageros na comida, na bebida, nas drogas, na ociosidade. Quantas vidas perdidas no vício, na vida dos prazeres puramente humanos.
          Devemos amar nosso corpo e o do outro, pois fomos criados para amar e sermos amados. “Deus se fez carne e habitou entre nós”. Nós não devemos dizer que amamos a Deus, que não vemos, se não formos capazes de amar os irmãos que vemos. O caminho da glória é o caminho do amor. Fazemos festa, deixamos de trabalhar, para manifestar o nosso amor ao corpo glorificado de Maria e para refazer em nós o amor ao nosso corpo e ao corpo do próximo. O culto que prestamos à Mãe da Glória é puro amor dos seus filhos, àquela que de maneira extraordinariamente simples e corajosa, soube ser Mãe e mulher, discípula radical de seu Filho. Tudo seria muito diferente, se cada um de nós, assumisse a radicalidade do seguimento a Jesus.
          Tudo seria muito diferente se soubéssemos amar o nosso corpo como Deus nos ama.

 Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

 

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